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Autárquicas 2017: Coimbra, a cidade poética que pode ser uma plataforma europeia da reflexão sobre a ciência e tecnologia

Sexta-feira, 15.09.17

 

 

 

Percebe-se porque há uma insistência obsessiva em querer colocar Coimbra na corrida do conhecimento, como se a cidade tivesse de viver apenas para a sua universidade.

É verdade que Coimbra é, antes de tudo, a universidade mais antiga da península ibérica. A Santa Cruz medieval formou Santo António. A torre da universidade, a biblioteca joanina, a universidade velha são impressionantes.

A Sé Velha, a Sé Nova, o museu nacional Machado de Castro, o jardim botânico, o Seminário Maior e a sua capela, tudo nos envolve poeticamente. Do lado de lá do rio, espera-nos Santa Clara-a-Velha e o convento de Santa Clara.

Não esquecer a Baixa, que os turistas adoram, e voltamos a Santa Cruz, a igreja e, ao lado, o café e a sua esplanada. É aqui que vêm desembocar as ruas da baixinha, onde antes o pequeno comércio e o comércio tradicional tinham uma enorme vitalidade e agora apenas resistem com dificuldade. Esta decadência está a descaracterizar esta parte de Coimbra. Em breve estará ocupada por lojas de maior dimensão, mas sem alma, e por tasquinhas.

Se voltarmos a Santa Cruz temos duas opções: a rua da Sofia ou subir à praça da República. Na rua da Sofia, as suas igrejas e edifícios antigos. A caminho da praça da República, o jardim da Manga e a sua esplanada, o mercado, o elevador para a parte alta da cidade, e a avenida Sá da Bandeira com o seu jardim. Já a chegar à praça, o teatro Gil Vicente.

 

Coimbra não é apenas a sua universidade. É a sua universidade mais a sua história, mais o seu magnífico património, mais os seus poetas das serenatas, mais o seu pequeno comércio, mais o Mondego.

As margens do Mondego não têm sido valorizadas. O rio não é apenas para ser navegado, há parques onde antes as famílias vinham passear. Hoje as crianças acompanham os pais para o Forum ou para outras grandes superfícies.

 

O equilíbrio possível entre a ciência, a tecnologia de ponta e a filosofia, a história, é o grande trunfo de Coimbra. Disse bem. Hoje é tão necessário avançar na ciência como reflectir na sua aplicação. Vivemos dilemas actuais fundamentais para o futuro da nossa espécie. E porque não Coimbra a liderar essa reflexão filosófica quando tem experiência histórica? A sua especificidade é a possibilidade de uma ciência e tecnologia com consciência humana. Disse bem. Consciência humana. Porque já se fala da possibilidade de criar uma "consciência artificial". :)

 

Já me entusiasmei. Ponto da situação, autárquicas, debate. Vi o programa na RTP Play dias depois. Comentei no Twitter: "... os melhores projectos para Coimbra: Cidadãos por Coimbra, Jorge G. Monteiro, e PSD/CDS, etc, Jaime Ramos. Coimbra reclama uma mudança cultural."

Gostei particularmente do projecto Cidadãos por Coimbra, a minha escolha pessoal, pela sua abrangência e articulação entre as diversas áreas: habitação, economia, diversidade e equilíbrio social, abertura à participação cívica, cultura da colaboração e da comunidade, do acesso à qualidade de vida dos munícipes em geral, à possibilidade de fixar os jovens, um futuro equilibrado e sustentável. Uma cidade acolhedora para todos, apreciada e usufruída por todos.

Também considerei interessante a intervenção do candidato apoiado pelo PSD/CDS/MPT/PPM. Pareceu-me, no entanto, representar uma cultura elitista, que considera que o motor de uma cidade está centrado nos quadros qualificados. É certo que são um recurso que a cidade perde para outros países sobretudo, e que podem fixar-se se a cidade souber facilitar e promover condições económicas favoráveis. Mas há muitos outros recursos em Coimbra, que não passam pelas corridas alucinadas dos silicon valleys deste mundo. Coimbra pode, se quiser, colocar-se noutra plataforma, à escala europeia, a partir da sua sabedoria secular.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:38








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